Incubação de Ovos de Galinha

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Incubação de Ovos de Galinha


O sucesso em qualquer criação dependerá da capacidade do criador em conseguir reproduzir seus animais. Não fará sentido algum a melhor seleção nem mesmo os melhores reprodutores, se o pintinho não vingar. Hoje falaremos da incubação, fase muito importante do processo de criação e que gera tantas dúvidas como problemas. Assunto questionável e de “muitas verdades”.


O bom resultado na incubação passará pela atenção em diversas etapas. Cada pesquisador, cada incubatório ou ainda cada criador, tem sua metodologia, sua nomenclatura, nós temos a nossa.

Basicamente a incubação passa por dois estágios, um antes da incubação propriamente dita e a incubação. Nas duas etapas temos diversos momentos de cuidado e atenção, entretanto notamos que muitos criadores focam na segunda. Vamos entender o que ocorre:

1 – Formação do ovo fértil.

Após a cópula, a galinha armazena os espermatozoides do galo em túbulos hospedeiros de espermatozoide, localizado no infundíbulo, o espermatozoide pode ficar armazenado por até 30 dias, mas recomenda-se não chocar ovos depois de 7 dias da retirada do macho. A gema (Oócito) é liberada do ovário para o infundíbulo, onde entra em contato com o espermatozoide e ocorre a fecundação, após essa etapa, a gema já fecundada passa pelo Magno e Istmo onde ocorre a formação da clara e então ao Útero onde ocorre a formação da casca, daí para a cloaca e postura. Nesta fase o criador deverá fornecer ração de qualidade, com cálcio na proporção, proteínas e vitaminas, leia nossos posts sobre alimentação aqui. O fornecimento de água de boa qualidade é fundamental.


Fonte: https://pt.engormix.com/avicultura/artigos/coleta-semen-galinhas-inseminacao-artificial-ia-avicola-t37477.htm
2 – Postura e coleta do ovo fértil.

A postura é um momento bem vulnerável para o ovo, preferencialmente esse ovo deve ser posto em um ninho seco, limpo e macio, acabando aqui a responsabilidade da galinha e começando à do criador, um ninho bem preparado, sem muitos ovos e bem macio, reduz a probabilidade trinca nos ovos, que além de perder umidade na ocasião da formação do embrião, permite a entrada de micro-organismos patogênicos.

A casca é a principal proteção para o pintinho. Além da casca dura, no momento da postura se forma uma cutícula que protege o ovo contra micro-organismos, caso esse ovo não se contamine com fezes ou as mãos do criador essa cutícula irá proteger o ovo durante várias horas impedindo contaminações, por isso não devemos lavar os ovos, nem passar escova ou pano, apenas retirar o ovo do ninho e colocar na bandeja.

Na Chácara Dornas Homestead os ovos são coletados quatro vezes por dia às 7:00 da manhã ou antes, são retirados os ovos do chão e que por acaso tenham sido postos durante a noite – 1° descarte; às 9:00, 11:00 13:00 e 17:00 horas é feito as demais coletas. Essa periodicidade é fundamental para que as galinhas não sujam os ovos já postos, com fezes ou patas sujas e para não acumular ovos nos ninhos. Uma vez os ovos coletados eles são levados para a sala de incubação, bem arejada e sem a entrada de animais. Durante a noite ou no final do expediente é feita a seleção dos ovos e a primeira ovoscopia, essa ovoscopia visa a retirada de ovos trincados ou muito porosos. Ovos sujos, pequenos ou muito grandes (nossa raça põe ovos de 55 a 65 gramas), deformados, trincados e muito porosos são descartados – 2°descarte.

O armazenamento dos ovos deve ser o menor possível, aqui chocamos às segundas e às quintas, portanto não mais que quatro dias de armazenamento. Segundo algumas publicações da Cobb-2008, ovos com mais de 14 dias de armazenamento prejudicam o desenvolvimento do pintinho após o nascimento, prejudicando a qualidade do frango. Até quatro dias de armazenamento não são necessários cuidados especiais, apenas manter os ovos frescos com pouca variação de temperatura. Na avicultura tem-se um termo que diz respeito a melhor temperatura de armazenagem, o zero fisiológico. Há uma grande variação na temperatura onde não há desenvolvimento embrionário, e essa variação é em função dos diversos estágios e tempos de armazenagem. Entendo o zero fisiológico, para a avicultura alternativa temperaturas próximas de 15°C, não muito abaixo disso nem muito acima. Caso seja possível armazenar nesta temperatura, a perda de umidade será baixa, assim como a liberação de CO2, reduzindo muito a mortalidade embrionária. Armazenagens de até sete dias não interferem muito na eclodibilidade, embora geralmente ovos velhos atrasam um pouco o nascimento, além de aumentar a janela de nascimentos.

Caso a região seja muito seca (umidade relativa < 60%) deve promover um aumento nesta umidade para índices superiores a 70%. A Chácara Dornas Homestead fica no entorno do DF, região muito seca, com índices inferiores a 10% de umidade no mês de agosto e não identificamos problemas maiores no armazenamento de ovos por até quatro dias. Independente do período de armazenagem os ovos deverão ficar com a ponta fina para baixo, sempre. Caso a incubadora seja para ovos na vertical, a ponta fina também deve ficar para baixo. Incubadoras que deixam os ovos da horizontal – deitados – dão resultados inferiores às incubadoras onde os ovos ficam na vertical. A viragem dos ovos é importante para ovos que ficarão armazenados por período maior que quatro dias, três vezes por dia, 45° para cada lado. Esses dois momentos antes da incubação são muito delicados, qualquer injúria ao embrião antes da incubação poderá matá-lo.



Essa mortalidade é geralmente confundida com ovos brancos (inférteis) pelo criador inexperiente.

Uma vez garantido que o embrião (o termo correto é blastoderme), - veja na imagem ao lado - chegue vivo à incubadora, devemos nos preocupar com os estágios da incubação:

3 – Primeiros quatro dias na incubadora.

Este primeiro estágio da incubação é bastante delicado. Até o terceiro dia já é possível ver vasos sanguíneos e batimento cardíaco, no quarto dia já é possível ver o olho, que é o ponto preto visto na ovoscopia. A causa de mortalidade embrionária nesta fase é praticamente em função da etapa pré-incubação, considerando ainda genética. Falhas na viragem ou manuseio dos ovos também causam mortalidade nesta etapa, assim como drogas ou toxinas.
4 – Do quinto até o 17° dia.
Nesta fase o embrião já forma quase que totalmente, a partir do nono dia o embrião já se parece com o pintinho que irá nascer, já dá para ver os canhões das penas, no 14° dia o embrião já vira a cabeça para a parte mais larga do ovo no final do período já tem pouco líquido amniótico e a cabeça está entre os pés. A mortalidade nesta fase é muito baixa, nossa experiência com mortalidade nesta fase foi apenas com contaminação por micro-organismos. Entre o quinto e o sétimo dia se faz uma outra ovoscopia para eliminar os ovos inférteis e mortos, neste período fazemos nosso 3° descarte. Ovos inférteis ou mortos além de ocupar espaço na incubadora podem explodir, contaminando outros ovos.
5 – Do 18° dia até o nascimento.

No 18° dia o embrião já está formado com o saco vitelino ainda para fora embrião, no 19° o saco vitelino é absorvido para dentro do corpo, não há mais líquido amniótico e o embrião já rompeu a câmara de ar. Ao 20° dia o embrião já respira, torna-se pintinho, inicia a bicagem. 21° nascimento. Nesta fase a maior causa de mortalidade é em função do manejo da chocadeira, seja temperatura – geralmente excessiva – seja umidade – geralmente baixa – ou ainda alguma trinca na casca do ovo devido ao processo de transferência da incubadora para o nascedouro. A incubadora deve ser regulada para uma temperatura de 37,7°C, temperaturas maiores são mais letais que temperaturas menores. Há relatos de pintos nascido com temperatura de 34°C e até de 40°C com mortalidade altíssimas nos dois casos. Conforme o embrião vai se desenvolvendo ele começa e produzir calor, já no final do processo, durante o nascimento o embrião produz muito calor, podendo inclusive morrer dentro do ovo por excesso de temperatura. Nas últimas horas a temperatura deve ser reduzida para 37,5°C ou um pouco menos. A umidade também deve ser analisada umidades próximas de 60% são as melhores, uma pequena variação não irá interferir significativamente a eclosão. Tanto umidade alta >90% quanto muito baixas <40% irão reduzir a eclodibilidade. A umidade deve ser um pouco maior no momento da eclosão.

A viragem é o terceiro item no processo de incubação e recheado de mito. Primeiro é importante saber que a viragem é mais importante no início do processo do que no final e é necessário sim virar os ovos desde o primeiro momento dentro da incubadora. Não há consenso, entretanto, de quantas vezes por dia. Incubadoras industriais viram de hora em hora, outras a cada duas horas. O mínimo é três vezes por dia e se a viragem for manual ela deve ser em números ímpares por dia, já que no período noturno não há viragem.

Quando o embrião chega ao 18° dia não precisa mais de viragem, é o momento em que se transfere para o nascedouro. Viragem prolongada atrapalha o posicionamento do embrião e pode causar mau posicionamento dentro do ovo.

Cuidando destes três itens os ovos deverão nascer com 504 horas após o início do processo, a janela de nascimento (período entre o primeiro e o último pinto nascido) ideal é de 24 horas. Janelas de nascimento maiores indicam problemas na incubação, que deverá ser diagnosticado com a análise do embrião – embriodiagnósitco.

Antes de finalizar gostaria de postar o resultado de um excelente trabalho elaborado pela Professora da UNESP Elisabeth Gonzales, mostrando a eclosão de ovos férteis em diferentes categorias animais, variando de 73% a 92%. A importância deste trabalho vem de encontro com inúmeros criadores que supervalorizam sua produção, relatando MÉDIAS de eclosão de 90%, algo que é difícil inclusive para incubatório profissional. Os motivos para que a eclosão em incubadoras artificiais seja inferior às galinhas ficará para outro post.



Obrigado pela visita e até o próximo post

Ricardo Dornas Martim

Zootecnista